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Sebastianas podem ter nascido em 1825
2010-06-14

    “Rasgos de euforia, embebidos em promessas de trabalho árduo e constante,  sementes férteis de ilusão, dedicação abundante que faz esquecer tudo e todos,  deixando-nos apenas uma coisa na retina: As Festas! As nossas Sebastianas!”.
    Este é um excerto da declaração de um festeiro das Festas Sebastianas 2010, que decorrem em Freamunde, entre 1 e 13 do próximo mês de Julho, sendo que entre os dias 1 e 7 decorre um intenso programa cultural.
    As Sebastianas, em honra do Mártir S. Sebastião, cujo culto advém da peste que assolou a Europa no século XIV, são consideradas das mais antigas do país. Um jornal local de 1825, diz a certo ponto que havia “Vistosa e bem planeada iluminação em arcaria desde a Capela de S. Francisco até ao Alto da Feira… formando um túnel luminoso.” Embora, reza a história, tenha havido alguns anos de paragem, as festas têm-se realizado ininterruptamente, pelo menos há meio século.

    Desde os tempos ancestrais, as gentes de Freamunde são conhecidas pelo gosto da folia e pela religiosidade. É lugar-comum ouvir-se por aí “basta que um foguete estale no ar para haver gente na rua”, em busca de festa, claro está.
    São variadas as festas religiosas e as feiras festivas, como a dos capões, em que o profano e o sagrado se completam, para gaúdio do povo de Freamunde.
    Em Julho, celebram-se as Festas Sebastianas que lançam algumas questões: porquê em honra de S. Sebastião, quando a Igreja o homenageia em 20 de Janeiro e se o patrono da hoje cidade é o Divino Salvador? Porquê umas festas desta dimensão que envolvem  tanto trabalho?  
    À primeira questão, responde a opinião dum estudioso de Freamunde que o culto de S. Sebastião (que teria, por aí uma capela em sua honra) vem da crise que assolou a Europa nos Séc. XIV e XV, em que a peste se fez sentir por cá. Como teriam morrido muitas pessoas numa freguesia vizinha e, por cá, teriam também tombado algumas vítimas, o povo voltou-se para o advogado da “fome, da peste e da guerra” e, assim nasceu a devoção e a festa que lhe está associada.
    Em resposta à segunda questão, basta dizer que cada comissão é constituída por 30 homens e diz a tradição que só um pode ser solteiro mas ter mais de 31 anos e cada elemento é escolhido e convidado por um outro elemento da comissão anterior. 
    A desmontagem, por exemplo, dos carros alegóricos do cortejo, é já assumida pela comissão do ano seguinte que inicia funções ao outro dia de terem terminadas as festas. E já não mais pára. Sucedem-se dias de trabalho, de planeamento, de angariação de fundos e de organização de eventos.
    As Festas Sebastianas têm sido precedidas, de há uns anos para cá, duma semana cultural que conta com a colaboração de algumas instituições locais. 
    Assim, este ano, de 1 a 4 de Julho vai decorrer a XVIII Feira de Artesanato de Freamunde e o I Festival Coral Internacional de Freamunde, organizado pela Associação de Artes e Letras de Freamunde; no dia 3 o Festival de Folclore, levado a cabo pelo Rancho Folclórico de Freamunde, no dia 4, actuam os grupos musicais da Associação Recreativa e Cultural “Pedaços de Nós” e no dia 7, toca a Banda de Freamunde.

 

 


 
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